Cicloturismo autossuficiente com Bikepacking no Vale Europeu

Cicloturismo autossuficiente com Bikepacking no Vale Europeu

Confira tudo o que você precisa saber para aproveitar o melhor do cicloturismo autossuficiente com bikepacking no circuito Vale Europeu

Você já pensou em pedalar pelo Vale Europeu de Santa Catarina?  E fazer uma viagem de bicicleta? Confira minhas dicas sobre como fazer cicloturismo autossuficiente com bikepacking no Vale Europeu.

Eu gostaria de dividir com vocês neste post um pouco sobre a minha experiência com cicloturismo no Circuito Vale Europeu e deixar algumas dicas para ciclistas iniciantes a partir do meu olhar como cicloturista curiosa.

A decisão do roteiro

Primeiro quero dizer que essa cicloviagem teve por objetivo realizar um treinamento para agregar conhecimento e despertar da inércia que a pandemia poderia ter me causado.  Tenho a pretensão de realizar cicloviagens mais longas, por caminhos alternativos e sei que necessito de mais conhecimento em navegação, mecânica, organização dos equipamentos, cozinhar, utilizar pouca água, ou seja, saber o que devo fazer quando surgir alguma dificuldade, que não deverá me paralisar, pelo contrário, servirá para aumentar ainda mais a emoção da aventura.

Para este roteiro, contei com a parceria de meu amigo e bikepacker Ernani Werle, experiente em várias cicloviagens e com quem pedalei pela Estrada Real em 2018 de Diamantina – MG ao Rio de Janeiro. Inicialmente o nosso plano era fazer um circuito de Diamantina até a Chapada Diamantina – BA, onde ele mora, pela Serra do Espinhaço por cerca de 1.000 km utilizando o Guia do Olinto e Rafaela, aliás super recomendo. Mas adiamos um pouco mais essa aventura enquanto não nos sentimos seguros com relação a esse momento tão difícil.

Circuito Vale Europeu 01

Eu e meu parceiro de roteiro, o amigo Ernani Werle.

 

 

 

 

 

Dificuldade: Altimetria elevada

Para esse treinamento decidimos então realizar o Circuito Vale Europeu pelo nível de dificuldade com altimetria elevada. Eu já havia realizado este circuito em pequenas etapas, mas como a maioria, com pressa para concluir no tempo previamente definido, ocasião em que pude conhecer a deliciosa gastronomia, as cervejarias e boas pousadas da região.

Dessa vez, a ideia era fazer uma cicloviagem diferente. Observar e sentir a localidade de uma forma mais simples, conhecer as comunidades que ligam os trechos e os meios de produção dos pequenos empreendimentos. Também queria ter a oportunidade de aprimorar meus conhecimentos pois venho desenvolvendo roteiros de cicloturismo e ecoturismo com ênfase em turismo de base comunitária e agroturismo. Posso citar aqui dois  cases: A Rota do Açores Catarinense e o SerTão Local, realizado de bicicleta, mas se a família vier junto e não pedalar, também poderá fazer o roteiro com carro e caminhadas.

Então, decidido para onde e porque ir, o próximo passo era saber o que levar.

O que eu levei?

Como o roteiro era parte de um treinamento, busquei levar o mínimo necessário para uma viagem de longa duração, testar o meu equipamento, a disposição das bolsas na bike e se minhas pernas dariam conta. A lista básica está abaixo:

  • Bicicleta revisada: MTB Cassete 11/40 com duas coroas 26/36;
  • Peças de reposição (pastilha de freio, cabos, gancheira, power link), ferramentas básicas, cera para corrente, canivete, kit remendo e uma câmara;
  • 1 bolsa de guidão (a minha é uma pochete da Aresta Equipamentos que uso em caminhadas, já que não gosto muito da mochila nas costas);
  • 2 bolsas pequenas no quadro para ferramentas, pequenos itens e primeiros socorros;
  • Kit cozinha: com fogareiro e itens como panela, prato, caneca, talheres e afins;
  • 1 bolsa de selin (seat bag) ou marimbondo: com roupas, saco de dormir e itens de higiene;
  • Isolante inflável;
  • Barraca para uma pessoa;

Roupas: duas meias, uma bermuda e uma calça para pedalar e uma para dormir, três camisetas, uma blusa de frio e impermeável, corta vento, bandanas, luvas, capacete e óculos.

Equipamentos Cicloturismo

Equipamentos do cicloturista autossuficiente do Circuito Vale Europeu.

Como há muitos ciclistas experientes no Circuito Vale Europeu, é possível conseguir equipamentos, roupas e acessórios extras na região, caso você se esqueça de levar algo.

Por que o uso do Bikepacking?

Por ser uma opção minimalista, o Bikepacking possibilita uma melhor distribuição do peso e uma melhor condução da bike, em especial em lugares com maior altimetria, estradas de terra mais acidentadas e trilhas estreitas, ou seja, uma alternativa mais acessível ao off Road. Em termos de peso de bagagem, a minha ficou com aproximadamente 13 kg.

Circuito Vale Europeu: um treinamento em autossuficiência

Para definir o roteiro meu amigo me ajudou a utilizar caminhos menos convencionais e me deu dicas de lugares diferentes para conhecer, mas foi difícil encontrar informações locais e com um peso a mais, não queríamos correr o risco de nos perder.

Dividimos a viagem em 4 etapas, em um total de 5 dias: Timbó-Pomerode-Indaial, Indaial-Rodeio, Rodeio-Doutor Pedrinho, Doutor Pedrinho-Alto Cedros-Timbó. Levamos tudo o que era minimamente necessário e eu sempre carregava uma pequena mochila exclusiva para a comida comprada no dia. Assim, abastecidos, pedalávamos longas distâncias até encontrar um bom lugar para acampar, seco, protegido de vento e se possível com água por perto.

Circuito Vale Europeu com bike

Uma pausa para contemplar a natureza e descansar!

Aqui vale fazer um destaque, no Vale Europeu não é comum encontrar ciclistas viajando autossuficientes como nós, a maioria leva somente água e algo para comer, às vezes em uma pequena mochila, pois contam com carro de apoio que os seguem levando insumos. Por vezes têm sua bagagem seguindo para os hotéis e pousadas previamente reservados.

Muitos deles ao nos ver carregados ficavam surpresos e outros demonstravam muita curiosidade sobre esse estilo de viagem. O Vale Europeu apresenta essa característica de público porque realmente é um roteiro muito difícil até para quem está sem bagagem na bicicleta. É importante ressaltar isso porque eu já havia feito alguns trechos em tempos atrás e encontrava pessoas chateadas por não terem conseguido concluir o roteiro. Dessa vez também não foi diferente.

Percepções sobre a região

Mas como disse, fui para sentir e olhar nos olhos de quem cruzaria meu caminho. Durante o caminho, numa subida mais forte e devagar era possível trocar um “olá!” com alguns moradores. Se havia um pé de fruta e pedíamos uma, ganhávamos muitas, mas agradecíamos já que não dava para levar nem mais uma banana na bike e logo já partíamos.

Aliás, a informação que eu havia recebido era de que os moradores no caminho eram fechados  e pouco cordiais, mas não foi o que sentimos, eles são super simpáticos. Ganhamos água, sorrisos e cumprimentos de todos aqueles que nos viam passar. Eu tenho facilidade com essa aproximação porque gosto muito de interagir com as pessoas. Não é nada complicado, se você for cordial, sempre receberá uma resposta positiva.

Também encontramos muitas pessoas idosas de bicicleta (coisa mais linda de se ver!) e eles adoravam prosear, mesmo com máscara. Evitávamos seguir com a prosa, pois caso contrário eles ficariam horas contando sobre a vida, a região e a cultura. E eu adoro! Afinal, vimos um povo trabalhador que cuida muito bem das terras, das casas e dos animais. As plantações pareciam jardins e os animais de estimação super bem alimentados e limpos. Um manejo muito bem realizado.

Idosos de bike no Vale Europeu

Moradores historicamente utilizam a bike no dia a dia e gostam de prosear!

Assim sendo, com nosso olhar menos apressado com o qual nos dispomos fazer esse circuito e em razão de algumas situações vivenciadas e que não encontrei em outros relatos na internet, vou passar algumas dicas que podem contribuir, caso queiram visitar a região.

4 dicas para quem pretende fazer o circuito de bike

1-) Refeições: Se você não tem muito treinamento em subidas, seu pedal deve começar o mais cedo possível para chegar em tempo de fazer as refeições nos pontos finais do trecho. Os restaurantes não costumam ficar abertos após as 14h00 e locais para um lanche não são facilmente encontrados no caminho entre os trechos.

2-) Visita às cachoeiras: Vale a pena visitar as cachoeiras, mas sempre se prepare para pedalar um pouco mais. E não arrisque se não tiver comprado comida. Aquele pão caseiro com queijo da colônia, suco de frutas colhidas nas arvores dos sítios, não existe. Talvez tenha sido por conta da pandemia, pois até pequenos armazéns em lugarejos estavam fechados.

3-) Clima: A escolha da época do ano para fazer a cicloviagem deve ser considerada. Nós escolhemos uma boa época,pois o clima estava delicioso, pouco frio no anoitecer e ventinho gelado com sol durante o dia. As noites estreladas e sem chuva. Isso é importante, o pedal fica mais fluído, até porque você vai pedalar com intensidade.

4-) Sinalização: Fizemos alguns caminhos alternativos consultando pessoas do lugar, mas não foi fácil. Aliás, isso me deixou surpresa. Muitos moradores não conhecem o circuito, ou o que sabem é tão limitado que você não consegue usar a informação. Existem placas, mas são poucas, então você deve ficar atento. Isso se confirma em alguns relatos de casais que faziam o passeio de forma independente e estavam um pouco descontentes devido ao nível de dificuldade do pedal, achavam que era mais fácil e pegaram caminhos errados. Assim, se fizer o roteiro autoguiado, sempre busque todas as informações que necessita, use aplicativos que possam te ajudar a se localizar ou contrate uma operadora local.

Conclusão: como é fazer cicloturismo autossuficiente com bikepacking no Vale Europeu?

Esse é um breve relato: foram dias de aprendizado: conheci melhor o Circuito do Vale Europeu, aprendi muito com meu amigo sobre uma viagem autossuficiente e pude conhecer um pouco mais sobre os diversos públicos que buscam realizar esse tipo de aventura, agora que as bicicletas aumentaram sua circulação.

Destaco que era fácil perceber a alegria de alguns ciclistas que vieram de longe para fazer o circuito em 5, 6 ou 7 dias, o que pode ser muito para a maioria, então reavalie seu tempo e vá para curtir, sem cobranças. Ou então, prepare-se melhor e com antecedência. Nós também encontramos atletas acostumados a desafios e ousavam fazer em menos tempo, sendo que alguns deles moram na região e fazem esses roteiros toda semana. Em comum todos se dizem apaixonados pela experiência de estar ali.

E finalmente, é surpreendente observar o quanto um circuito como esse que abrange diversos municípios traz oportunidades de desenvolvimento local. Imagino que foram muitos os desafios para sua implantação, mas agora ele pode ser aperfeiçoado e servir cada vez mais como uma referência para novos circuitos a serem implantados por esse Brasil tão cheio de belezas, cultura e generosidade.

Cicloturismo no Vale Europeu

Quer fazer Cicloturismo autossuficiente com bikepacking no Vale Europeu ou tirar suas dúvidas sobre ele? Entre em contato comigo para saber mais!

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Ciclismo: hobby cresce expressivamente com a pandemia

Durante a pandemia houve um aumento significativo na compra de bicicletas. Segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas o aumento atingiu em média 50% em 2020 comparando com os 12 meses de 2019. Isso significa que novos ciclistas estão surgindo pelas ruas, trilhas e estradas, o que é bom demais! Além das notícias, puder perceber esse aumento de interesse através de seguidores e visitantes que chegam até Florianópolis e me solicitam informações sobre equipamentos e bicicletas, seja para uso no dia a dia, para ir um pouco mais longe ou até interessados em realizar uma cicloviagem. Por conta disso, estou sempre me atualizando, adoro falar de bicicleta e inspirar outros a seguirem por esse caminho em duas rodas.

Triskel Bike Experiências
Informações: lica.triskel@gmail.com ou Tel. (48) 99633-0090

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