COMUNIDADE: LIGADOS POR LAÇOS DE SIMPATIA

Quando criança, morei em uma pequena vila de pescadores no litoral sul de São Paulo. A
rotina era só leveza e brincadeira: as crianças subiam em árvores, nadavam no rio, corriam
pelas ruas… Os pescadores traziam peixe fresco para vender nos portões enquanto as mães
carregavam seus filhos em um braço e sacolas de compra no outro. Lá, só tínhamos uns aos
outros para somar e dividir.

Depois de alguns anos, mais especificamente na década de 80, eu era jovem e viajava pelo
Brasil para conhecer lugares pouco conhecidos. Visitava sempre as comunidades mais singelas,
e sempre fui muito bem acolhida. No final da faculdade, eu e minhas amigas traçávamos
planos para um dia morarmos juntas – em comunidade, claro. Nós plantaríamos, colheríamos e
dançaríamos em volta da fogueira. Era um desejo lindo, mas acabamos nos separando ao
longo tempo, embora ainda nos encontremos algumas vezes para fazer essas coisas.

Já adulta, atuei como advogada ambiental. Tive a oportunidade de trabalhar em projetos
socioambientais, e meu maior amor e dedicação sempre foram pelas comunidades
tradicionais: quilombolas, ribeirinhas, caiçaras, rurais.

Eventualmente, a vida seguiu e minha atuação profissional mudou, mas continuei acreditando
na vida em conjunto. Representa conexão, harmonia, irmandade e comunhão. Percebo isso
morando em grandes cidades: quando surge uma situação que precisa de cuidado, como
segurança, saneamento ou infraestrutura, logo procuro a vizinhança para propor alguma ação.
Por vezes, encontro mais gente sentindo a mesma coisa e depois de alguns encontros
passamos a tomar um café juntos ou prosear na varanda, mas confesso que é não é a mesma
coisa. O que mudou? Onde encontro de novo a sensação de irmandade? Conheço muitas
outras pessoas que estão buscando um sentido. O que nos falta? Talvez exercer o sentido real
de comunidade: empatia, liberdade, ação e transformação.

Procurando esta verdade, larguei uma vida de conforto financeiro e loucuras emocionais para
ser feliz e pedalar. Muita coisa mudou desde então. Hoje atuo como empreendedora social e
cicloturista para compartilhar com os outros a mesma sensação de bem-estar que trago em
mim e o aprendizado que adquiri, para impactar positivamente as comunidades locais e para
mostrar seus atributos ambientais e socioculturais. E o que espero é que haja uma troca feliz
entre quem chega e quem esta lá..

Assim, decidi utilizar meu blog para divulgar as ações dos que estão próximos a mim.
Regularmente vou fazer um post sobre alguém que esteja desenvolvendo algum produto,
projeto ou simplesmente sonhando desenvolvê-lo. Vou de bike visitar meus amigos e amigas,
conversar e tirar umas fotinhos – eles poderão estar arrumando um jardim, amassando o pão,
arando a terra, fazendo cerveja, ou até mesmo limpando o bumbum do bebê! São pessoas que
escolheram fazer das suas vidas uma experiência essencial. Também vou escrever um bate-
papo sobre como criar pontos de conexão e potencializar nossas buscas. O que vocês acham?

Se tiverem alguma idéia, ou se quiser fazer parte, é só me chamar! A comunidade é aberta – ou
melhor, arreganhada!

Ah! Vou postar aqui uma foto do meu aniversário, que aconteceu neste outubro. Pra mim, é
um símbolo de uma comunidade cheia de amor, porque foram eles que me ajudaram a chegar
até aqui, e seguimos juntos.

Bora pegar a bike e chegar chegando!

Beijo,

Lica.

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